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Edgar Caetano
"É só margem para os bancos". Já ganham 1,5% colocando os depósitos no BCE – mas aos clientes continua a pagar-se zero. Mas uma decisão recente do BCE cria as bases para que os juros finalmente subam.
A longa tormenta dos bancos acabou a 27 de julho, quando o BCE deixou de lhes cobrar pelos depósitos que fazem no banco central: a taxa dos depósitos no banco central, que era negativa desde 2014, passou para o nível zero. Pouco depois, a 14 de setembro, as notícias foram reforçadas: o BCE aumentou a taxa para 0,75% – e entretanto já a subiu para 1,5%, o que permite que os bancos tirem uma “renda” sem fazer nada, só parqueando a liquidez de que não necessitam no banco central, sem risco. E muita dessa liquidez vem dos depósitos pelos quais a banca continua a pagar, aos clientes, praticamente zero. “É só margem para os bancos“, diz uma fonte da área financeira, mas o fim (anunciado) de uma “subsidiação” do BCE à banca vai mudar as regras do jogo.
Os banqueiros têm dado a entender que não estará para breve a subida dos juros dos depósitos, mesmo sabendo-se que no próximo mês de dezembro o BCE deve voltar a subir as taxas de juro – incluindo a taxa dos depósitos, que pode passar para 2% ou mais. Assim, com os depósitos a renderem (perto de) zero, o benefício para os bancos alarga-se: mesmo que não emprestem às empresas e às famílias, vão poder ganhar 2% ou mais só clicando num botão que envia para Frankfurt a liquidez de que não precisam.
Quando se pede explicações aos banqueiros, estes falam de “estratégia comercial” e questionam porque é que “ninguém se indignava da mesma forma” quando os bancos estiveram durante vários anos a pagar pelos depósitos que faziam no banco central e, ao mesmo tempo, estavam impossibilitados de repercutir esse custo nas aplicações dos clientes (já que a lei portuguesa proíbe cobrar aos aforradores por depósitos abaixo de zero) – foi isso que disse Miguel Maya, presidente do BCP. João Pedro Oliveira e Costa, do BPI, falou no mesmo mas garantiu que o que está na cabeça dos banqueiros não é tentar, agora, obter “uma compensação” pelo que perderam durante a era das taxas negativas.
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