Quase 40% dos inquiridos admitem saber pouco ou nada sobre mercados e produtos financeiros.
Quase três em cada cinco participantes no mais recente inquérito da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) evidenciam algum grau de aversão à perda. O valor, de 58,9%, supera a percentagem de inquiridos que demonstra aversão ao risco financeiro, situada nos 42,3%.
O VI inquérito da CMVM, realizado online entre 2 de outubro e 20 de novembro de 2025, reuniu 2.319 respostas válidas, maioritariamente de elementos da população universitária. Pela primeira vez, o estudo analisou não apenas os conhecimentos e hábitos financeiros dos participantes, mas também as suas atitudes perante o risco e as perdas.
No que respeita ao risco em geral, cerca de dois em cada cinco respondentes apresentam alguma aversão, enquanto 18,2% demonstram apetência pelo risco. Os restantes 43% assumem uma posição relativamente neutra. Apenas 3,2% afirmam estar muito dispostos a correr riscos, enquanto 5,5% dizem não ter qualquer disponibilidade para o fazer.
Os homens, os participantes entre os 26 e os 40 anos e aqueles que possuem melhores conhecimentos financeiros revelam maior tolerância ao risco. Em sentido contrário, a aversão é mais acentuada entre as mulheres, os maiores de 40 anos e os participantes com menor literacia financeira.
Conhecimentos financeiros influenciam tolerância ao risco
Quando a análise se restringe ao risco financeiro, 42,3% dos respondentes manifestam alguma aversão e 19,2% demonstram tolerância. Os participantes até aos 25 anos apresentam maior predisposição para assumir riscos financeiros, enquanto os maiores de 40 anos revelam maior resistência.
A literacia financeira surge como um fator relevante na predisposição para assumir riscos e tolerar perdas. Os respondentes que consideram possuir melhores conhecimentos mostram-se mais disponíveis para assumir riscos financeiros. Ainda assim, o estudo identifica fragilidades numa amostra que apresenta uma escolaridade superior à da generalidade da população portuguesa. Cerca de 36,7% dos participantes consideram-se pouco ou nada conhecedores de mercados e produtos financeiros, enquanto 33,1% responderam corretamente a menos de metade das perguntas de literacia financeira. Mais de metade, 64,4%, consegue avaliar corretamente os próprios conhecimentos. Contudo, um em cada cinco participantes subestima aquilo que sabe e 15,3% consideram possuir mais conhecimentos do que aqueles que efetivamente demonstraram.
Fundo de emergência lidera objetivos de poupança
Ao nível da poupança, 49,4% dos respondentes afirmam reservar mais de 10% do rendimento mensal. Em contraste, 11,6% admitem não poupar regularmente e 5,7% não constituíram qualquer poupança nos 12 meses anteriores ao inquérito. A criação de uma reserva para despesas imprevistas é a principal motivação para poupar, referida por 64,4% dos participantes. Seguem-se as despesas não regulares, como férias e viagens, indicadas por 54,4%. A preparação da reforma é mencionada por 32%.
Entre os riscos associados aos produtos de investimento, os participantes atribuem maior importância à possibilidade de perda total ou parcial do capital e à falência ou insolvência do emitente. Os resultados deverão apoiar a CMVM na definição das suas prioridades nas áreas da literacia financeira e da proteção dos investidores.
In Funds People
"O risco vem de não saber o que se está a fazer" - Warren Buffett
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