RAIZE

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Toughpine
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RAIZE

Mensagem por Toughpine »

Momento de continuar a comprar RAIZE:

Durante a maior parte da sua existência, foi uma fintech pequena e relativamente discreta, com €10–15M em originação anual, gerando €1,0–1,3M em comissões, que mal chegava ao breakeven. A ação caiu do preço de IPO de €2,00 para a faixa dos €0,50–0,70. Não era exatamente uma tese de investimento apelativa.

O que mudou — e o motivo pelo qual escrevo agora — é a convergência de três fatores a acontecer simultaneamente, que acredito irão transformar os economics deste negócio nos próximos 12–18 meses.

Primeiro, e mais importante: a RAIZE lançou um novo produto no final de 2025 chamado "obrigações desintermediadas" — emissões grupadas de obrigações onde a RAIZE agrega várias PMEs num único cabaz, estrutura a obrigação e coloca-a junto de investidores através da sua plataforma. Isto elimina completamente os bancos e os intermediários financeiros tradicionais. A comissão? Aproximadamente 3% do valor nominal, em grande parte reconhecido no momento da emissão. Como sei isto? Bastava participar na Assembleia de Acionistas para ter esta informação. Nos primeiros meses (final de 2025), o produto gerou €18M em volume de obrigações. O management tem como objetivo público atingir €15M/mês até ao final de 2026.

Prevendo €3M/mês para 2026 (€36M anuais) e €5M/mês para 2027 (€60M anuais), contra o objetivo do management de €15M/mês. Mesmo com estes níveis conservadores, as comissões de obrigações de €1,08M (2026) e €1,8M (2027) são transformadoras para uma empresa que fez €1,28M em faturação consolidada em 2024 — com zero de receita de obrigações, já que o produto ainda não existia. No objetivo do management, estaríamos a falar de €5,4M em comissões anuais. O custo de processamento é em grande parte fixo (análise de crédito, estruturação jurídica, em grande parte já automatizada), pelo que a margem incremental é muito elevada. E o management está a investir em nova tecnologia, na plataforma da RAIZE, para suportar investimentos em capital (equity) e empréstimos a taxa variável (atualmente apenas taxa fixa), que não estão incluídos nos meus números.

Segundo: a Flexdeal SIMFE S.A., acionista maioritária com 49,21%, comunicou hoje (19 de março de 2026) à CMVM a sua intenção de adquirir até 100% da RAIZE. Isto inclui um aumento de capital de 1.785.714 novas ações a €0,84/ação (VWAP de 128 sessões) mais compras em mercado para as restantes ações.

A cronologia de aquisição diz tudo sobre convicção. Em dezembro de 2020, a Flexdeal lançou uma OPA a €0,90/ação — um prémio de 26,76% sobre o preço de fecho da RAIZE de €0,71 e 11,11% acima do VWAP de 6 meses de €0,81. Adquiriu exatamente 950.000 ações (19,00%). Depois, em novembro de 2022, a Flexdeal assinou um CVA (contrato de compra e venda de ações) com os cofundadores da RAIZE, José Maria Rego e António Marques, por 705.049 ações a €1,10/ação. Após aprovação do Banco de Portugal, concluiu-se em fevereiro de 2024 — momento em que ambos os fundadores renunciaram ao conselho de administração e Alberto Amaral, anteriormente vogal não executivo, assumiu o controlo operacional. Dias depois, a 27 de fevereiro de 2024, a Flexdeal adquiriu mais 805.474 ações fora de mercado, elevando o total para 2.460.523 ações (49,21%). Em janeiro de 2026, comunicaram a intenção de aumentar para 51%. Hoje atualizaram para 100%. Total de ações vendidas: zero. Sempre. Capital investido acumulado: estimado em €2,5–3,0M. Estamos a falar de alguém com pele no jogo, a fazer uma aposta com o seu próprio balanço e reputação.

Terceiro: uma injeção de capital de €3,5M. A componente de capital próprio de €1,5M resulta de 1.785.714 novas ações a €0,84/ação, com a Flexdeal comprometida a subscrever quaisquer ações não exercidas. Os restantes €2,0M provêm de prestações suplementares dos fundos de capital de risco C2 R&D Growth VI, IX e XI (€800K, €800K e €400K respetivamente), já desembolsados em junho–julho de 2025. Após o aumento, o capital Tier 1 será de aproximadamente €3,5M — muito acima do mínimo regulatório de €125K — resolvendo um défice menor de €9K no final de 2024 e posicionando a empresa para operações em escala. Os direitos de preferência estão reservados para acionistas com ≥2% do capital à data de 16 de março de 2026.

Catalisador

Os catalisadores estão alinhados e são de curto prazo:

A Assembleia Geral de 23 de março de 2026 vota o aumento de capital e a limitação dos direitos de preferência. O Banco de Portugal decidirá depois sobre o aumento de participação qualificada da Flexdeal. O management comprometeu-se a publicar resultados intercalares do 1º Semestre 2026 — para além das contas de 2025, ainda não apresentadas, este será o primeiro conjunto de demonstrações financeiras a refletir o negócio das obrigações em escala, e espero que seja um evento de re-rating significativo.

Sobre a avaliação: a €1,22, estamos a pagar €6,1M por um negócio que projeto conservadoramente fazer €2,58M em receitas e €1,0M em EBITDA em 2026, escalando para €3,5M de receitas e €1,6M de EBITDA em 2027 — usando um volume de obrigações de apenas €3M/mês e €5M/mês respetivamente. Sobre o EBITDA de 2027E, um múltiplo de 7x dá €1,65/ação (+57% de upside), 10x dá €2,35/ação (+124%). Estas projeções excluem receitas de novas linhas de produto em desenvolvimento (investimentos em capital e empréstimos a taxa variável). A GoParity, uma plataforma portuguesa de crowdfunding verde com métricas inferiores (metada da userbase e 1m faturação só de P2P), foi avaliada em €14M na última ronda de financiamento. A RAIZE tem credenciais regulatórias superiores (tripla autorização do BdP, CMVM e ASF), um histórico mais longo (€100M+ em originação acumulada, 107K utilizadores) e um produto que está efetivamente a gerar crescimento de receitas.

O downside é relativamente limitado. O preço do aumento de capital de €0,84 cria um floor. A intenção declarada da Flexdeal de comprar a preço de mercado proporciona um bid natural (do género da Ibersol). O negócio tradicional de empréstimos cobre os custos operacionais atuais.

Os principais riscos são os intercompany dealings com a Flexdeal, visto que ainda não é claro como é feito o split entre as duas empresas. Caso esteja tudo ok, mesmo que estagnarem nos €2–3M/mês de obrigações desintermediadas, torna o upside modesto. Não é por nada que a ação vem de 0,50€ para 1,22€ num ano.

Acredito que isto é um 2–3x em 12–18 meses com um caminho credível para mais. O mercado está a descontar a RAIZE como se o negócio das obrigações desintermediadas não existisse. Quando os números do 1º Semestre 2026 saírem a mostrar a inflexão de receitas, penso que vai mudar.

O management vai tentar manter o stock baixinho, para ir comprando antes de demonstrar os números sensacionais que a empresa estará prestes a fazer.
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